quinta-feira, 30 de abril de 2009

Cinco passos para um bebê feliz!

Numa das visitas à pediatra, conversamos sobre as dificuldades em fazer nossa filhinha dormir quando está agitada. Por exemplo, quando ela parece estar muito cansada, ao invés de cair no sono, ela fica nervosa e, se não fizermos algo logo, ela acaba chorando. E quanto mais chora, mais nervosa fica, num círculo vicioso que só termina quando ela está exausta.

A pediatra nos indicou o DVD The Happiest Baby On The Block, do Dr. Karp, que ensina algumas técnicas para lidar com o choro dos bebês nos primeiros meses. Há inclusive um site com o mesmo nome, em inglês, mas tem uma descrição em português da teoria desse médico aqui. Mas, em resumo, a teoria diz o seguinte:
  1. O cérebro humano é grande e complexo e precisa de muito tempo pra se desenvolver;
  2. Durante o desenvolvimento do cérebro, a cabeça do feto precisa crescer;
  3. Nove meses não são suficientes para o desenvolvimento básico do cérebro, mas a gestação não pode passar disso sob o risco de a cabeça não passar pela pelve da mãe;
  4. Diferentemente de outros mamíferos, o bebê humano é forçado a sair antes da hora e ainda é um feto nos primeiros 3 meses de vida.
  5. Nesses primeiros 3 meses, o bebê possui necessidades muito especiais e particulares, pois o cérebro ainda está muito imaturo. Por isso há tanto choro!

As necessidades do bebê até os 3 meses são bem intensas e, por isso, ocorre a famosa "cólica". Uma teoria atual sobre a cólica é que ela vem do choro e não o contrário. Se me lembro bem, acho que o bebê chora porque não teve alguma necessidade atendida e isso pode fazer com que engula ar e fique tenso, o que por sua vez pode provocar dores no aparelho digestivo imaturo do bebê e provocar mais choro...

A idéia, então, é fazer com que o bebê, nos primeiros meses de vida, sinta-se confortável, afinal foi assim que se sentiu durante a gestação e ainda não tem a capacidade de suportar o desconforto da vida fora do útero (que a Laurinha o diga nessa foto aí :-)

Daí surge a idéia de se usar algumas técnicas para tentar reproduzir algumas condições da vida intra-uterina com o objetivo de acalmar o bebê:

  1. Embrulhar o bebê numa manta (Swaddling)
  2. Colocar o bebê de lado ou ligeiramente de bruços (Side/Stomach position)
  3. Colocar ruído para o bebê ouvir ou fazer chiado perto do seu ouvido (Shushing)
  4. Balançar o bebê (Swinging)
  5. Satisfazer o reflexo de sucção do bebê (Sucking)
De acordo com o Dr. Karp, esseas técnicas (que ele chama de 5S: swaddling, side position, shushing, swinging, sucking) ativam o chamado "reflexo da calma". Devem ser utilizadas de forma incremental. Ou seja, tente a primeira. Se não funcionou, continue com a primeira e tente a segunda. Se não funcionou, continue com as duas e tente a terceira, etc.

A seguir vou detalhar mais essas técnicas, conforme explicadas pelo Dr. Karp:

  1. O "empacotamento":

  2. O bebê no útero estava sempre apertadinho, com movimentos limitados. Ele se sente seguro assim. Recomenda-se, então, embrulhá-lo em uma manta ou lençol para acalmá-lo. O segredo é restringir os movimentos dos braços!

    Quem tem ou teve um bebê que "tem o sono leve" talvez tenha percebido que um dos motivos é que o bebê "se acorda" quando faz um movimento súbito. Nossa filha, por exemplo, às vezes parece estar dormindo profundamente quando, de repente, tem um espasmo. Se ela está com os braços soltos, às vezes bate a mãozinha no próprio rosto! Aí se assusta e acorda!

    Em casa, às vezes usamos um cueiro para empacotá-la, mas nos dias mais quentes, usamos um lençol mesmo. No DVD é mostrada uma forma de empacotar o bebê que restringe bastante os movimentos. E não ache que ele vai gostar: quando estão chorando, eles costumam chorar mais alto ainda quando são empacotados! Mas isso é normal, pois já estão nervosos. Por isso o empacotamento é só o início. É preciso usar uma ou mais das outras técnicas para acalmar.

    Aqui tem um vídeo do Youtube em que uma moça mostra a técnica usada pelo Dr. Karp para embrulhar o bebê:



    Na verdade, a Junia não gosta de empacotar a Laura tando quanto eu. Eu sou mais prático e gostaria de empacotá-la sempre que está nervosa. Mas a Junia prefere tentar outras soluções primeiro. Mas, em geral, o empacotamento, aliado com as outras técnicas, funciona bem.

  3. "De lado"

  4. Após enrolar o bebê de modo que não consiga mover muito os bracinhos, ele provavelmente vai estar mais nervoso do que antes! É que aquele era só o primeiro passo para acalmá-lo. Ao colocar o bebê de lado, ele tende a se acalmar. Mas é difícil achar o ângulo certo :-)

    O Dr. Karp mostra, no DVD, como a técnica funciona. Você pega o bebê enrolado e se senta. Coloca o bebê deitado de lado, sobre o bracinho esquerdo dele, ao longo da sua perna esquerda (ou sobre o bracinho direito e ao longo sua perna direita). A cabeça do bebê precisa ficar sobre a sua mão e as perninhas dele debaixo do seu braço. Caso ele não se acalme, você precisa ir mudando o ângulo, tentando colocá-lo meio de bruços. Ao que parece, cada bebê tem um ângulo "certo" :-)

    Normalmente, a Laurinha não se acalma muito com essa segunda técnica. Mas já funcionou algumas vezes, sem precisar recorrer às outras técnicas. O Dr. Karp, no vídeo, faz parecer algo automático. Ele demonstra com alguns bebês, que param de chorar na hora!

    Mas se o bebê não se acalmar, acrescente a próxima técnica.

  5. O "chiado"

  6. Dentro do útero, o bebê ouvia muito barulho difuso e caótico, o chamado "ruído branco", e bem alto. Ou seja, só foi conhecer o silêncio ao sair do útero. O mais confortável para o bebê, nos primeiros meses, é ouvir esse tipo de ruído, como aquele chiado da TV fora de sintonia ou o barulho do secador de cabelo.

    Em casa, eu baixei deste site alguns ruídos em mp3. O que melhor funcionou com a Laurinha foi o que simula o aspirador de pó. Porém, o mp3 é muito curto e tem só cerca de 1 minuto. O que eu fiz foi usar um programa de edição de áudio para criar uma versão com 20 minutos. O negócio funcionou tão bem que começamos a colocar o ruído para ela dormir todos os dias! O legal é que abafa também outros sons.

    Aqui tem uma amostra do som que utilizamos:

    O problema é que, a cada 20 minutos, o som dava uma parada e, como estava alto, ao recomeçar dava certo impacto e perturbava o bebê. Então, comecei a aumentar o tempo até que cheguei numa versão de 6 horas. O problema ocorria quando esquecíamos de parar e recomeçar o som. Às vezes, às altas horas da noite, após uma mamada e quando estávamos fazendo o bebê dormir novamente, o som terminava e recomeçava. Resultado: ela ficava incomodada e muitas vezes acordava de novo.

    Cheguei então na fórmula ideal: criei uma versão com 12 horas ininterruptas e com "fade in" no início e "fade out" no final. Ou seja, não precisamos mais parar o som quando lembramos. Se o som terminar, ele vai diminuindo até terminar e, ao recomeçar, recomeça baixinho e vai aumentando. Essa transição é bem mais suave do que um silêncio abrupto e depois um som alto.

    Ah, sim, não mencionei que compramos um aparelho de som interessante para isso. Ele lê cartão de memória e pen drives USB. E é um porta retratos digital! Compramos alguns pen-drives e colocamos músicas para diferentes ocasiões em cada um: para o banho, passeio, canções de ninar, músicas infantis e o chiado.

    Quem precisar e quiser mais informações sobre como fazer a edição do mp3 eu posso fornecer. Não tenho como postar o mp3 que gerei, pois trata-se de um arquivo de mais de 100 megabytes!

    Bom, por fim, o Dr. Karp diz que, com o bebê embrulhado e sobre a de lado, deve-se fazer um som de chiado bem alto e há uns 10cm do ouvidinho dele. Com a Laurinha, isso funciona razoavelmente bem! Mas muitas vezes é preciso acrescentar a próxima técnica.

  7. Balancinho


  8. O bebê costumava ser balançado constantemente dentro do útero. Como flutuava no líquido, os movimentos da mãe faziam com que ele fosse balançado lá dentro. E talvez seja por isso que eles gostam tanto de ser embalados.

    Segundo o Dr. Karp, a idéia é balançar o bebê de modo que a cabeça se mova livremente, acompanhando o movimento do corpo. Dessa forma, para aplicar essa técnica, com o bebê embrulhado e sobre sua perna e ouvindo o chiado, é preciso balançar a perna em movimentos curtos e rápidos. A cabeça do bebê deve estar sobre a sua mão aberta, de modo a poder se mover livremente de um lado para o outro, acompanhando o movimento do corpo.

    Nós costumamos aplicar essa técnica de forma diferente, mas que funciona muito bem: seguramos o bebê com a mão livre e o balançamos rapidamente, mas com movimentos bem curtinhos. O que importa é que a cabeça dele fique se mexendo livremente, de um lado para o outro. Claro, os movimentos são curtos e rápidos, mas delicados!

    Geralmente a Laurinha se acalma nesse estágio: ela para de chorar e fica com o olhar parado, como se estivesse prestando atenção em alguma coisa, e vai fechando os olhinhos até cochilar. Mas, algumas vezes, é necessário acrescentar a próxima e última técnica.

    O balanço também funciona para acalmar o bebê para dormir, não necessariamente com ele embrulhadinho. Compramos uma cadeirinha de balanço para facilitar o trabalho de balançar a Laurinha e funcionou muito bem. É uma cadeirinha da Fisher-Price feita especialmente para meninas. Ela tem uma estrutura que facilita o balançar e ainda tem pilhas para ficar vibrando. Ou seja, ela não balança o bebê sozinha, mas vibra para tranquilizar o bebê. Mas é super leve para balançar: só de encostar o dedo ela já vai para cima e para baixo numa grande amplitude. Costumamos usá-la para fazer a Laurinha dormir durante o dia: colocamos o bebê de lado na cadeira, com chupeta e uma fraldinha encostada no rostinho dela para dar mais conforto. Essa é uma das horas em que ela pega a chupeta fácil, se estiver bem cansadinha. Aí, balançamos por alguns minutos e ela dorme (não por muito tempo, como a Junia explicou neste post :-)

  9. Sucção


  10. Quando todas as técnicas anteriores, aplicadas simultaneamente, não conseguirem acalmar o bebê após poucos minutos, é preciso recorrer à última: a chupeta. Ou seja, com o bebê embrulhado, de lado, ouvindo chiado e sendo balançado, dê-lhe a chupeta.

    Com a Laurinha, isso funciona quase 100% das vezes. Ela rapidamente se acalma e pega no sono. Depois, é só transferi-la pro berço. É engraçado como é diferente: normalmente ela tem dificuldade de pegar a chupeta, mas pega com facilidade quando estamos fazendo os 5S.



Só me lembro de duas ocasiões (de dezenas) em que os 5S não funcionaram com a Laurinha.

Em uma delas, usamos a técnica com o objetivo errado: estávamos desesperados para dormir e a Laurinha estava acordada, mas não estava nervosa. Como, em geral, ela dorme rápido após o 5S, achamos que surtiria o mesmo efeito. Mas ela estava calma e continuou calma, mas não queria saber de dormir!

Na segunda, ela estava muito nervosa e chorando já havia algum tempo. E tanto eu quanto a Junia também estávamos nervosos, pois já era de madrugada. É que tentamos, primeiro, usar outras técnicas para acalmá-la, pois a Junia não gosta tanto do 5S quanto eu. Só que nada estava funcionando. Quando tentamos aplicar o 5S, já estávamos nervosos e o clima não estava bom :-\ O que ocorreu foi que a Laurinha chorou por tanto tempo que acabou dormindo, exausta!

Ou seja, pela nossa experiência, os pais devem estar calmos quando forem aplicar os 5S. Devem passar tranquilidade para o bebê, senão é difícil conseguir que se acalme!

Aqui tem uma cena que colocaram no Youtube com o próprio Dr. Karp fazendo a técnica completa dos 5S:



E aqui outro exemplo do Youtube, mostrando como funciona rápido:

4 comentários:

  1. Respostas
    1. Patrícia, chupeta, sim. Crianças nesta fase tem necessidade da succção para se acalmar. Não vou entrar na polêmica teórica a respeito do uso da chupeta. É sempre uma decisão pessoal. O que posso dizer sobre a prática é que nos ajudou muito com a nossa filha, não interferiu com a amamentação e quando chegou a hora, tiramos a chupeta.
      Abraço.

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  2. Da p substituir alguns itens usando sling: o bebe juntinho da mamae, apertadinho, ouvindo barulho do coracao. E ainda ajuda a diminuir a colica.

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    1. Com certeza! Eu mesma apostei no sling e comprei um. Mas... Laurinha nunca gostou :(

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