domingo, 3 de maio de 2015

Isabella


O da Isabella vai ser parecido com este e está sendo feito pela loja Fuxicando Arte

Quem nos conhece sabe que já tínhamos optado por ter uma única filha. Não que eu não quisesse. Mas como esta não era  a vontade do Douglas, a opção estava feita. Sempre pensei que esta é uma questão a respeito da qual não se força a barra. Criar um filho é algo que exige muito do casal e é preciso estar em sintonia desde o começo.

Então a vida estava resolvida. Já fazia projetos de futuro considerando a nossa família de filho único. E afirmava com certeza categórica para qualquer um que perguntasse que não teríamos outro.  Nunca, nem de longe me passou pela cabeça que o Douglas mudaria de ideia. Mas mudou!

Em outubro comentava com ele sobre o nascimento do filho de um amigo quando ele veio: "...falando nisso, eu estava pensando..." Quase tive um troço. Mil coisas me passaram pela cabeça ao mesmo tempo... Será que ainda quero? Será que ainda consigo? Será que ainda engravido aos 43?! Mas as dúvidas não duraram quase nada. E o tempo estava contra mim. Comecei logo a planejar: consulta com a ginecologista, pesquisar sobre fertilidade/infertilidade, riscos da gravidez depois dos 40...

A primeira coisa foi voltar para o meu amigo Fertility Friend. Que agora tem até app. Na época da gravidez da Laura só tinha o serviço no site.  Comecei a rotina de registrar os sinais de fertilidade ao longo do ciclo. Comparando os gráficos de outubro e novembro com os da época da Laura, parecia tudo funcionar como antes, o que me deixou animada.

A minha médica pediu um batalhão de exames. E uma triagem da minha fertilidade: medir hormônios em vários momentos do ciclo, estimar reserva ovariana. Os exames hormonais não estavam tão ruins, apesar de apresentar na maioria valores limítrofes em relação ao esperado. Mas no dia em que fiz o ultrassom para estimar a reserva ovariana voltei para casa desanimada. A reserva deu baixa. Disse para o Douglas que achava que não seria tão fácil engravidar desta vez. Então ele sugeriu que começássemos a tentar naquele ciclo, em dezembro.

Fiquei muito espantada quando o exame de gravidez deu positivo. Como assim de primeira? Nem na gravidez da Laura tinha sido tão rápido.  Mas, como dizem os especialistas, se a função ovariana está preservada (o ciclo funciona direito, a ovulação está ok...), você só precisa de um óvulo para engravidar.

A grande questão era: o óvulo ainda seria de boa qualidade? Este é um dos maiores problemas de quem engravida mais tarde, uma vez que, mesmo com boa saúde, os óvulos envelhecem. Existe certa controvérsia a este respeito, pois há pesquisadores que propõem que estilo de vida e determinados suplementos influenciam positivamente nesta qualidade. No pouco tempo que tive antes de engravidar, cheguei a tomar alguns como Arginina e Co-enzima Q10. Mas a maior parte das evidências está do lado da influência negativa da idade sobre a qualidade do óvulo. São mais frequentes abortos espontâneos e anomalias genéticas.

Também já tinha pesquisado e havíamos decidido fazer um exame surgido nos últimos anos, que faz uma triagem do DNA fetal para anomalias genéticas, de forma não  invasiva, a partir de células do feto presentes no sangue da mãe. É uma classe de exames chamada NIPT (Non Invasive Prenatal Test - Teste Prenatal Não-Invasivo). O exame é caro e tem laboratórios credenciados no Brasil apenas para a coleta do sangue. O teste é feito nos EUA e a gente tem que esperar até 20 dias úteis pelo resultado.

Havíamos decidido só revelar a gravidez, inclusive para a família, após o fim do primeiro trimestre, quando já teríamos feito o ultrassom morfológico e já teríamos o resultado do NIPT. Como a idade traz mais riscos e também temos a Laura, não quisemos criar expectativas antes de ter mais segurança sobre a saúde do feto e da gravidez.

No período do segredo contei com o Douglas e duas amigas (Regiane e Elayne) para dividir as preocupações e alegrias. Sem este apoio acho que teria surtado! :)))

Bem, deu tudo certo. Ultrassom morfológico do primeiro trimestre normal e NIPT apontando o risco mais baixo da escala para as principais anomalias genéticas. O NIPT também aponta o sexo: teríamos outra menina. Hora de contar!

Contamos primeiro pra Laura. Ela quase surtou de alegria. Saiu pulando pela casa e procurando a babá, Julienne (pra quem eu tinha contado um dia antes), pra contar que iria ter uma irmã! Depois ligamos para nossos pais. Todos ficaram muito contentes com a novidade. Depois foi dividir a alegria também com os amigos.

No aniversário do Douglas, o presente foi para a Isabella :) (dos colegas de trabalho)

Pra começar a envolver a Laura, deixamos que ela escolhesse o nome.  Eu e Douglas queríamos Amanda, mas a Laura não aprovou. Começou com Bárbara, para que a irmã tivesse o apelido de "Barbie". Ui. Ao longo do dia fomos falando do assunto, até que eu lembrei da boneca que ela ganhou no Natal, para quem ela deu o nome de Isabella. Até brinquei: "...mas você não vai querer sua irmã e a boneca com o mesmo nome, né Laura?".  Engano meu. Ela adorou. Disse: "...perfeito, elas serão gêmeas!" . Tudo bem que semanas depois ela trocou o nome da boneca...

Bem, os dois "l". Quando escolhemos Amanda, queríamos um nome bilíngue, comum tanto em português quanto em inglês. Para nossa sorte. Isabella atendia os requisitos. Mas a grafia mais comum em inglês é com dois "l".  Como por aqui também esta grafia não é incomum, ficou Isabella. Apesar de não gostar de nomes complicados, com th, y, letras duplas sem necessidade e etc.

A gravidez está indo bem. E a Laura está curtindo horrores. Conta pra todo mundo, abraça, beija, conversa com a barriga. Conta os meses quase todos os dias. Até ficamos surpresos com tamanha alegria. A Laura nunca tinha pedido irmãos, embora tenha criado irmãos imaginários. Mas amigos/irmãos/etc.  imaginários é algo comum e não vimos isto como algo especial no caso dela, que tem muita imaginação. Aliás, os "irmãos" já tinham ido embora há algum tempo.

Curtindo a irmãzinha, agora no 5o mês de gravidez

Segunda gravidez é bem diferente. O tempo é muito curto. A rotina da Laura continua e o tempo que "sobra" tem que ser divido com consultas, exames e organização do enxoval. Tem sido difícil a gente se organizar para postar as novidades até para a família.  Ainda não sabemos se vamos criar um blog pra Isabella. Por enquanto vamos dando notícias por aqui.

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