sábado, 20 de junho de 2009

4 meses depois


Quem me conhece sabe como planejamento, organização e disciplina me atraem. Assim, métodos para cuidar de bebês que propõem rotinas estruturadas como o da Tracy Hogg, têm um forte apelo para mim. Durante a gravidez li os livros dela e estava só esperando a Laurinha chegar para começar a aplicar a rotina. Para mim parecia muito lógico e factível.

Mas a Laurinha veio para ampliar meus horizontes. E mostrar que não existem métodos mágicos que funcionam para todo e qualquer bebê, sem exceção. O da Tracy Hogg, por exemplo, baseia-se numa sequência: comer, brincar, dormir, com janelas de tempo para cada uma destas atividades. Bem, a Laurinha não tem uma janela de sono regular durante o dia. Já usamos "todas" as técnicas para fornecer as condições ideais para que ela durma de maneira mais previsível, mas suas sonecas diurnas podem durar de 15 min a 2 horas. Assim, embora eu procure aproveitar algumas coisas da rotina proposta pela Tracy (como intervalo entre mamadas), tenho que ser bem mais flexível do que o método permite.

Além disso, a convivência com meu bebezinho me fez questionar algumas coisas condenadas pelos métodos mais famosos hoje em dia, e que me pareciam perfeitamente naturais, como dar colo e embalar o bebê para dormir. Isto me fez encontrar propostas como as de Elizabeth Pantley e Dr. Sears e outras referências do grupo Soluções sem choro que ofercem maneiras de educar que não excluem colo, embalar e outras formas carinhosas de lidar com o bebê. Embora eu não goste de práticas como a da cama compartilhada (o bebê dormindo com os pais) eu me sinto confortável com maneiras de cuidar do bebê baseadas em aconchego.

No início, acho que ainda sob a influência da depressão pós-parto, eu ficava desesperada e me sentindo incompetente por não ver a rotina proposta pela Tracy Hogg funcionar completamente, por mais que nós insistíssemos. Eu, o Douglas e a babá sempre agimos de forma consistente, mas a Laurinha não se encaixou. Com o tempo e experiência, percebi que, para respeitar a Laurinha, educá-la, eu tinha que ser sensível ao que funcionava para ela, não necessariamente ao que era mais conveniente para nossa rotina de adultos. Além disso, só consegui começar a estabelecer rotinas depois que a Laurinha ganhou alguma maturidade. No primeiro mês foi impossível e eu nem percebia que era exigir demais de mim e dela.

Claro que hoje não vivemos mais em tribos ou comunidades primitivas, mas o que a natureza preparou para o bebê foi uma mãe e um peito sempre disponíveis, além de o cuidado com o bebê ser compartilhado entre mãe e outras mulheres do núcleo familiar. Este raciocínio me convenceu de duas coisas: primeiro que não é natural a mãe ficar presa num apartamento sozinha com o bebê e sobrecarregada com seus cuidados, mães precisam de apoio. Conto com a ajuda do Douglas e da babá e isto tem sido fundamental para ter uma relação equilibrada e dar o melhor de mim para a Laurinha. Segundo, para a amamentação, a livre demanda é o ideal, pelo menos no início; embora não aconteça sempre, a tendência é que o bebê encontre um ritmo à medida que cresce. E mais, o peito não serve só para mamar: é para chupetar e consolar, sim (como pregam as amigas do parto em Mitos falsos sobre aleitamento materno).

Não consegui me adaptar à livre demanda para a amamenteção, embora tenha praticado por um tempo, talvez por não estar muito bem emocionalmente, na época. O meio termo foi estabelecer uma rotina de 2 horas para a Laurinha. Hoje ela está em uma rotina de 3 horas de intervalo entre mamadas. Ela é embalada (muitas vezes com a chupeta) para dormir e dorme de vários jeitos durante o dia: no colo, no peito, na cadeirinha, no passeio de carrinho, vendo seu DVD predileto... Já à noite temos um ritual do sono mais estabelecido, que também envolve embalar. E a Laurinha dorme de 8 a 10 horas por noite!

O que quero deixar de mensagem para mães de primeira viagem como eu: ter uma rotina estruturada é importante, mas questione sempre se a proposta está realmente oferecendo o que é melhor para o seu bebê ou se a rotina proposta oferece o mais conveniente para os pais e não para a criança. Não existe método certo ou errado. Para todo método existem argumentos contra e a favor, é uma questão de escolha. Na minha opinião, existem técnicas que funcionam considerando o jeito de ser do seu bebê e das pessoas envolvidas na educação do bebê. Seja flexível e não ache sempre que se um método não funciona é porque você não está fazendo direito: o método pode simplesmente não ser o mais adequado para a sua família. Não existe bala de prata, a gente tem que experimentar algumas coisas até descobrir o que dá certo.

4 comentários:

  1. Obrigada por dividir esses pensamentos. Meu filho está com 2 meses e eu me sinto exatamente como vc, apesar de ainda estar um pouco chateada pq o método não deu certo!

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  2. Mabel, eu sei muito bem o que é este sentimento... mas não fique chateada. Por experiência, posso te dizer que antes de 3 meses (pelo menos para bebês com temperamento parecido com o da Laurinha) é muito difícil estabelecer rotina. Tenho certeza que você e seu filho vão encontrar o que funciona vocês. Com o tempo você vai perceber que livros e teorias nos apoiam, mas nada substitui nossa avaliação pessoal e intuição.

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  3. Como eu queria ter uma rotina, pois cada dia com minha bebe de 2 meses é uma surpresa. Também não consegui aplicar tracy hogg. Estava me sentido incompetente. Minha filha chora pra dormir e como a sua dorme cada hora de um jeito, tem dia que dorme muito outros quase nao dorme. As mamadas, estou tentando controlar e uso a chupeta. pois ela estava mamando o dia inteiro.Foi reconfortante ler seu blog.

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  4. Nubia, como disse para a Mabel, rotina é mesmo coisa para bebês um pouco mais maduros... Os primeiros meses atropelam a gente, mas com o tempo encontramos um equilíbrio. Fico feliz em ter compartilhado algo que possa ajudar de alguma forma. A maioria das pessoas nos dá a sensação de que há alguma coisa errada com a gente por termos bebês com necessidades mais intensas! É sempre bom encontrar alguém que viveu a mesma coisa.

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